Helena vivia apenas com a sua mãe numa pequena vila algarvia. Tinha-se inscrito também em Belas-Artes e conseguira entrar. Contudo as coisas não correram como o esperado ao ser-lhe negada ajuda pelos serviços sociais e os empregos a que se candidatava também lhe eram recusados não só pela sua aparência de inquebrável “gothic pin-up”, mas também devido ao seu temperamento, tendo provocado inúmeros desentendimentos quer em entrevistas, quer pouco depois de conseguir alguns empregos, havendo mesmo situações em que chegava a sovar os patrões ou colegas de trabalho. Farta do movimento superficial lisboeta e do mau feitio dos seus patrões que em geral chocavam sempre com o seu, decidiu mudar-se para Évora, apercebendo-se na altura que estava sem um único tostão. Felizmente conseguiu dois part-time, um como assistente num cabeleireiro (que manteria em caso de bom comportamento) e outro numa loja de tatuagens e piercings (música para os seus ouvidos, visto ser vidrada no mundo das tatuagens), tornando-se mais tarde numa efectiva full-timer a tatuar ao cair nas boas graças da sua patroa.
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